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terça-feira, 20 de março de 2012

Fique Bem...

Eu te encontrei, você me reencontrou,
Eu me escondi , você me achou,
Eu te quis, você teve dúvidas,
Eu avancei, você recuou,
Eu reformulei minha vida, você não se enquadrou,
Eu te amei, você... bem, não sei,
Eu senti ciúme, você abriu mão,
Eu me ofereci por completo, você se satisfez com a metade,
Eu corri os riscos, você ficou apática,
Eu transbordei, você se assustou,
Eu te feri, você me magoou,
Eu me desesperei, você retrocedeu,
Eu fiquei na plataforma, você embarcou,
Eu me precipitei, você se precipitou,
Eu te perdi e talvez você tenha se achado.

Esta é uma história onde pontos finais não parecem fim do texto, mas o fim de um paragrafo. Eu não entendo teu latim e não sei o que significa "acalme seu coração"... desaprendi a ler nas entrelinhas.

Acabo de ter uma parte do meu coração esmagado, como é que ele vai ficar calmo se só dói?

Antes de dormir, vi as considerações finais desta temporada onde se lia num sms: "fique bem" e rapidamente me lembrei de Chico Buarque dizendo :
"Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci."

Não construo um raciocínio lógico a não ser "foi a ultima vez que nos vimos, como vou ficar bem? Como?"

Estou dilacerada (mesmo), deve ter pedaços meus até na lua (foda)... Eu só quero que tudo isso passe (logo), o que vai acontecer daqui pra frente é um mistério.

Meu amor não vai morrer de hoje pra amanhã... eu só queria que parasse de doer.

Quanto a ficar bem... bem, peça ajuda à um Babalaô da Bahia e me mande a receita!

sábado, 13 de agosto de 2011

Sobre a arte de receber elogios

Quem gosta de cozinhar sabe que não há nada mais gostoso do que cozinhar pra alguéns.
Mentira. Melhor que cozinhar para alguéns, é a reação positiva destes ao provar sua obra de arte.

Muito bem, ontem brinquei de cozinhar para os amigos e o resultado foi intenso.
Entre margaritas, estelitas e heinekens nasceu um Chilli com carne e uma mousse de chocolate.... Divinos

Depois de tantos elogios, alguns fervorosos e apaixonantes, me senti na obrigação de dividir as receitas. Comida boa é comida dividida, difundida, feita com amor e com receita compartilhada.
As vovós, guardadeiras dos secretos seculares da cozinha que me perdoem, mas cozinhar é como qualquer conhecimento: só presta quando é compartilhado.

Assim, vamos ao cardápio da noite passada ( e estendido para a de hoje)

Chilli com carne




Ingredientes


1/2 kg de feijão carioca
700gr de carne moída
1 cebola grande picada
1 dente de alho picado
1 pimentão médio picado delicadamente
1 caixa de extrato de tomate
Páprica picante
molho de pimenta malagueta
pimenta do reino
sal


Preparo


Coloque o feijão pra cozinhar na pressão. Particularmente, gosto do chilli numa consistência mais pastosa, então deixo o feijão cozinhar até ficar ultra mega power macio.


Enquanto ele o feijão cozinha, refogue a cebola e o pimentão, acrescente a carne, tomando cuidado para ela ficar bem soltinha. adicione o sal, a páprica o molho de pimenta e a pimenta do reino. Aqui vai de gosto, aos que se aventuram na picância extrema, pode bastante pimenta! 
Acrescente o extrato de tomate e deixe borbulhar. 
Quando o feijão estiver no ponto, junte ele o o caldo do cozimento a carne. Tá pronto


Na hora de ir a mesa, jogue por cima uma porção generosa de queijo mussarela ralado grosseiramente. Acompanha torradinhas, pão pita, e agora a Pulmann vende aquele Rap10 que é a tortilha de farinha de trigo. Doritos com e sem tempero também vale.


Rendimento: pra 6 pessoas sem miséria!

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A Mousse de Chocolate


Ingredientes:


6 gemas
6 claras
4 colheres de açúcar (experimente substituir o refinado pelo mascavo)
2 barras de 130gr de chocolate meio amargo
2 barras de 130gr de chocolate ao leite
2 caixinhas de creme de leite


Modo de preparo


Bata na batedeira as claras até ficarem bem firmes, o clássico ponto "virou a tigela, não caiu, tá bom". reserve
Bata na batedeira as gemas e o açúcar até virar um creme encorpado. Se o açúcar for o refinado, o creme ficar quase branco, se for o mascavo, ficará num tom "café com leite".reserve
Em uma panela aqueça o creme de leite e desligue o fogo quando ele começar a atingir a fervura, só então acrescente as quatro barras de chocolate. O calor do creme de leite derreterá o chocolate naturalmente.
Junte este creme ao de gemas e açúcar, misture até obter um creme uniforme (isso tem que ser feito na mão, sem batedeira). 
Depois, introduza as claras delicadamente para que elas não dissolvam. É o areado das claras que deixa o mousse com aquela consistência furadinha liiiinda.
Manda pra geladeira por umas duas horas e tá pronto.


Rendimento: 6 pessoas sem nenhuma miséria!


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De fato o ponto alto da aventura gastronômica desse fim de semana foi essa sobremesa.
Não tinhamos batedeira, então botei todo mundo para bater clara na mão, foi ultra divertido.
Hoje um amigo se derramou em elogios e disse que estava "chocado", pois havia muito tempo que não comia uma mousse de chocolate tão gostosa.
Ele lembrou dos tempos de infância, eu fiquei com o ego de cozinheira amadora inflado que só!

Testem, experimentem, chame os amigos e divirtam-se!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Run Ana run


É que a vontade que tenho agora é de correr até que estanque... Como se a cada passo largo e apressado que eu der eu deixe para trás os pedaços ocos do corpo sem alma.

Correr pra onde? Correr a esmo...

E ainda que não haja mais tempo, eu vos digo

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


(As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas",Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.)

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Fantástica Fábrica de Geléias de AnaLee

Se a felicidade se acha é em horinhas de descuido, fazer geléia lhe traz o benefício de ter muitas horinhas pra ser feliz.

Mais do que cozinhar, fazer geléia é relaxante, terapeutico e transmutador... sem exageros. E como tudo que realmente vale a pena, o processo pode ser simples, mas não é fácil. E é, justamente, porque necessita do ingrediente mais difícil de ser administrado em qualquer receita e para qualquer coisa na vida: a paciência.


Vamos a receita da geléia de pimenta.

1kg de maçãs das mais baratas que você achar
1 litro d'agua
1/2 kg de açúçar
2 pimentas dedo de moça grandes
meio copo de cachaça (vale 51)


A pectina (ou a base)

Para qualquer geléia que você deseje fazer, a base será sempre a mesma. Para ter aquela consistencia bonita de geléia é necessária a utilização da pectina, onde eu acho essa porra? Eu respondo, na maçã... essa é a parte demorada da brincadeira.
Corte as maças em pedaços com cascas, sementes e os cabinhos ( a maior concentração da pectina está nas sementes e no cabinho) depois as coloque para ferver naquele 1 litro de agua.


A proporção será sempre essa: para cada quilo de maçã, 1 litro de água para cozinha-las.
As maçãs deverão cozinhar até sumirem, isso demora em média 2 horas, 2horas e meia. vale colocar um pouco mais de água durante o cozimento.



Nesta parte do processo, vc já enlouqueceu todo mundo com o cheiro, mas a aparência não é das melhores.
Deixe esfriar.
Depois, coe o linquido em um coador de pano ou pano de prato mesmo. A parte sólida cairá bem como adubo ou então cace os cabinhos e sementes retire, colque açúcar e canela deixe cozinhar mais um pouquinho e vc terá um ótimo recheio para panquecas...
Mas voltando a geléia....


A geléia

Pegue o suco coado da maçã divida em duas partes. Coloque uma parte na panela junto com o 1/2 de açúcar e deixe-o dissolver. Enquanto isso, bata no liquidificador a outra parte do suco com as pimentas, depois junte as duas partes na panela e acrescente o copo de cachaça.
Esta é a hora de deixar o fogo fazer sua mágica...


Caso você tenha termometro para doces, a temperatura que a geléia atingirá quando estiver boa é de 100°, caso não tenha, comece a controlar o fogo quando ela levantar fervura. Para saber se ela está no ponto, faça um teste simples: pegue um prato gelado e coloque nele uma colher da geléia quente, se ela esfriar e ficar com consistencia de geléia tá pronta. Isso demora, em média, de 40 min a 1 hora.

Envase com ela ainda quente e deixe esfriar.
Você pode controlar a ardência da geléia aumentando ou diminuindo a quantidade ou o tamanho das pimentas.





A geléia de cachaça

Mesmo processo, só que ao invés de duas pimentas vc vai utilizar 700 ml de cachaça, aquela da sua preferencia.

Dá pra brincar de criar outros sabores encima desta receita, já estou na de gengibre e a próxima será a de vinho merlot.



Dedicado a Theo Werneck, fonte de inspiração para a ousadia.